Nutrição, Saúde

Adoçante – Qual o impacto para a microbiota?

A maioria das vezes o consumidor procura o adoçante como forma de adoçar as receitas, e ao mesmo tempo não adicionar calorias, aumentando o consumo de alimentos “fit”. O que as pessoas desconhecem é que este tipo de adoçantes pode desencadear malefícios para a saúde da microbiota intestinal.

Os adoçantes não nutritivos (NNSs) são definidos como adoçantes que têm maior intensidade de sabor doce e menor teor calórico por grama, em comparação com os adoçantes calóricos ou nutritivos, como sacarose ou o xarope de milho.
Os NNSs podem ser de origem sintética ou natural. Também existe os LCSs – adoçantes de baixa calorias. Tanto os NNSs quanto os LCSs são consumidos não só pelas pessoas com diabetes, mas também pela população em geral, como os refrigerantes, produtos de panificação, sobremesas, chocolates etc

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na saúde e no surgimento de patologias, uma vez que 80% do sistema imunitário está no intestino. Então tudo o que ocorre no intestino, torna-se sistémico, pelo que é muito importante sabermos o que colocamos dentro do nosso intestino (?).

Os primeiros estudos realizados sugerem que os adoçantes artificiais mantêm a glicose plasmática e concentrações máximas de insulina sem afetar a microbiota. Embora, os últimos estudos demonstram alterações específicas na microbiota intestinal, relacionadas a alterações nas vias metabólicas ligadas à tolerância à glicose por meio da indução de alterações na composição e função da microbiota intestinal após ingestão de sacarina.

Um estudo realizado pela Universidade britânica, Escola de Ciências da Vida, East Road, em Cambridge, demonstra os efeitos patogénicos de alguns adoçantes artificiais (sacarina, sucralose, aspartame) em dois tipos de bácterias intestinais E. coli (Escherichia coli ) e E. faecalis(Enterococcus faecalis). Os resultados do estudo mostraram que numa concentração equivalente a duas latas de refrigerante diet, os três adoçantes artificiais aumentaram significativamente a adesão de E. coli e E. faecalis às células intestinais Caco-2 e aumentaram a formação de biofilmes.

Estudos anteriores demostram que os adoçantes artificiais podem alterar o número e o tipo de bactérias intestinais. Outros estudos também direcionam que a ingestão de adoçantes, principalmente em refrigerantes light, têm sido relacionados ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo II, síndrome metabólica. Investigadores relatam que o adoçante artificial encontrado nos refrigerantes, como a sucralose, aumenta o transportador de glicose (GLUT4) para as células e promove a acumulação de gordura, levando à obesidade.

Alguns adoçantes específicos não são aconselhados em alguns casos, como o acessfulfame-K em casos de alterações renais, o ciclamato de sódio em casos de hipertensão arterial e o aspartame em casos de fenilcetonúria.

Dr.ª Andreia Pais, Nutricionista na Pilares da Saúde

Referências:

Ruiz-Ojeda, F. J., Plaza-Díaz, J., Sáez-Lara, M. J., & Gil, A. (2019). Effects of sweeteners on the gut microbiota: a review of experimental studies and clinical trials. Advances in Nutrition, 10(suppl_1), S31-S48
Int. J. Mol. Sci. 2021, 22(10), 5228

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