Nutrição, Saúde

Dieta LOW FODMAP: aplicações terapêuticas

A dieta LOW FODMAP (LFM) foi desenvolvida por uma equipa de investigadores da Universidade Monash, na Austrália. Esta dieta restringe o consumo de um determinado grupo de alimentos, que deu origem ao acrónimo em inglês FODMAPs “Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols” e que se traduz em “Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis Fermentáveis”.

Os FODMAPs são hidratos de carbono não digeríveis, com má absorção ou absorção inexistente ao nível do intestino delgado. Podemos encontrá-los numa grande variedade de alimentos, tais como frutas e vegetais, cereais, leguminosas, oleaginosas, laticínios e alguns alimentos industrializados. Alguns exemplos de alimentos com elevado teor em FODMAPs são: as melancias, pêssegos, maçãs, peras, cebolas, alho, feijão, ervilhas, beterraba, trigo, cogumelos, abacate, mel, leite, iogurte, queijos de pasta mole, cajus e pistaches(1).

Esta dieta tem sido utilizada como uma ferramenta terapêutica alimentar, ajudando a delinear o plano alimentar do indivíduo de acordo com a sua tolerância aos alimentos (2). Vários são os estudos que indicam o seu benefício em doenças com sintomatologia gastrointestinal, nomeadamente, na doença inflamatória intestinal e também em doenças como a fibromialgia e síndrome da fadiga. No entanto, carecem de mais dados para clarificar os efeitos desta abordagem nutricional nestas patologias(1–5).

Por outro lado, há evidência acerca da eficácia desta dieta no tratamento e controlo dos sintomas em pacientes com a síndrome do intestino irritável (SII)(6). Este distúrbio gastrointestinal carateriza-se pela presença de dor e distensão abdominal, meteorismo e alteração do transito intestinal (como diarreia e/ou obstipação); afetando assim a qualidade de vida(7).

Importa salientar que a intensidade dos sintomas desencadeados pelo consumo de FODMAPs varia de pessoa para pessoa e nem todos os FODMAPs causam sintomas exacerbados, num mesmo indivíduo(2). O que se verifica, após a ingestão de fontes alimentares de FODMAPs é um aumento de água ao nível do intestino delgado que, ao chegarem ao colón são usados como alimento para as bactérias da microbiota intestinal, que os fermenta resultando na produção de gás e piorando a distensão abdominal, o que induz as crises da SII(2).

Autores de uma revisão de literatura concluíram que a dieta LFM é eficaz na redução dos sintomas quando comparada a outros tratamentos dietéticos e não dietéticos(2,8)

O protocolo da dieta baixa de FODMAPs divide-se em três fases: eliminação, onde são retirados da dieta os alimentos ricos em FODMAPs e substituídos por alimentos com baixo teor de FODMAPs.  Esta fase tem a duração de quatro a seis semanas e, como é uma fase muito restrita, não deve ser prolongada, sob o risco de o indivíduo desenvolver carências nutricionais(9).

A segunda fase tem uma duração aproximada de quatro a doze semanas e é nesta altura que se inicia a reintrodução controlada dos alimentos com alto teor de FODMAPs. De acordo com a tolerância individual, as doses vão sendo progressivamente aumentadas (9).

A terceira fase consiste na individualização e manutenção da dieta, com a inclusão de uma maior variedade de alimentos ricos em FODMAPs e controlo contínuo dos sintomas(9).

Esta dieta requer o acompanhamento por um nutricionista, de forma a garantir o adequado aporte energético e nutricional.

 

Dra. Elsa Silva

Membro estagiário da Ordem dos nutricionistas (3453 NE)

 

Referências bibliográficas

 

  1. World Gastroenterology Organisation, Makharia G, Bai J, Crowe S, Karakan T, Yeh Lee Y, et al. Dieta e intestino. J Clin Gastroenterol. 2018;(34).
  2. Bellini M, Tonarelli S, Nagy AG, Pancetti A, Costa F, Ricchiuti A, et al. Low FODMAP diet: Evidence, doubts, and hopes. Vol. 12, Nutrients; 2020.
  3. Campagnolo N, Johnston S, Collatz A, Staines D, Marshall-Gradisnik S. Dietary and nutrition interventions for the therapeutic treatment of chronic fatigue syndrome/myalgic encephalomyelitis: a systematic review. Journal of Human Nutrition and Dietetics. 2017 Jun 1;30(3):247–59.
  4. Marum AP, Moreira C, Saraiva F, Tomas-Carus P, Sousa-Guerreiro C. A low fermentable oligo-di-mono saccharides and polyols (FODMAP) diet reduced pain and improved daily life in fibromyalgia patients. Scandinavian Journal of Pain. 2016 Oct 1;13:166–72.
  5. Barbalho SM, Goulart RDA, Aranão ALDC, de Oliveira PGC. Inflammatory Bowel Diseases and Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides, and Polyols: An Overview. Journal of Medicinal Food. 2018 Jul 1;21(7):633–40.
  6. Hahn J, Choi J, Chang MJ. Effect of low fodmaps diet on irritable bowel syndromes: A systematic review and meta-analysis of clinical trials. Nutrients. 2021 Jul 1;13(7).
  7. Liu J, Chey WD, Haller E, Eswaran S. Low-FODMAP Diet for Irritable Bowel Syndrome: What We Know and What We Have Yet to Learn. 2019;
  8. Manning LP, Yao CK, Biesiekierski JR. Therapy of IBS: Is a Low FODMAP Diet the Answer? Vol. 11, Frontiers in Psychiatry. Frontiers Media S.A.; 2020.
  9. Fernandes M, Almeida M, Costa V. Papel do nutricionista numa dieta restrita em FODMAPs. Acta Portuguesa de Nutrição. 2020 Dec 31;23.

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